Volkswagen

 

A qualidade dos veículos, o arrojo da tecnologia e, sem dúvida, a capacidade de entender o que o cliente deseja, transformaram a VOLKSWAGEN numa marca próxima, amigável, perfeita para a sua vida.
A história
Comece a entender a VOLKSWAGEN como a marca que produziu o carro que mais cativou a população deste planeta em toda a história: o FUSCA. A palavra é uma contração em português de Volks (pronuncia-se “folks”), e exprime a tradução literal da VOLKSWAGEN: carro do povo. Não seria preciso mais nada para marcar a ferro a presença da montadora alemã na história. Sua história começou como mais uma das obsessões de Adolf Hitler, pois o carrinho chamado de “besouro” era de interesse estratégico do Reich nazista, uma tentativa de uniformização automotora da raça ariana. O desejo do ditador era o de um automóvel barato, e que qualquer pessoa pudesse comprá-lo através de um sistema de poupança voltado para sua aquisição. O engenheiro encarregado de desenvolver o modelo foi ninguém menos que Ferdinand Porsche. Cerca de 336 mil pessoas pagaram pelo modelo, e os protótipos do carro, chamados em alemão KdF-Wagen (KDF significa Kraft durch Freude, em português, “força através da alegria”, um dos lemas do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, o conhecido Partido Nazista), já possuíam as curvas de seu formato característico e o motor refrigerado a ar, de quatro cilindros, montado na traseira.
Assim, com subsídios do governo, a VOLKSWAGEN foi criada em 1937 com uma fábrica implantada na cidade KdF-Stadt (atual Wolfsburg). A nova fábrica só havia produzido algumas unidades quando a Segunda Guerra Mundial iniciou-se em 1939. Como conseqüência da guerra, sua produção foi adaptada para veículos militares, como jipes e carros anfíbios. Com o fim do conflito, a retomada da produção veio de maneira vigiada, quando da ocupação da Alemanha Ocidental pelos vitoriosos aliados em 1945. Como ainda era incerto o futuro da fábrica, a mesma foi oferecida a representantes de empresas automobilísticas britânicas, americanas e francesas. Todos a rejeitaram. Depois de visitar a fábrica, Sir William Rootes, da indústria britânica Rootes Group, declarou que “o modelo não atrai o consumidor médio de automóveis, é muito feio e barulhento… se vocês pensam que vão fazer automóveis neste lugar, vocês são uns grandes tolos, rapazes”. Mesmo assim, a fábrica da empresa operava sob o nome de Wolfsburg Motor Works e produziu ao final de seu primeiro ano 1.785 veículos.


Em 1947 a empresa assinou o primeiro contrato de exportação com uma empresa da Holanda. No ano seguinte o Beetle representava 23% das exportações da empresa para os países europeus. Nessa época a VOLKSWAGEN dominava o mercado nacional (64.4%) e o europeu. Nos Estados Unidos o carro iniciou uma revolução no segmento dos pequenos automóveis em 1949, conquistando milhões de motoristas que queriam ter o Beetle como segundo carro, além de ser o modelo mais importado do país. Nesse mesmo ano a empresa apresenta o VW Cabriolet, construído pela Karmann Company, que se tornaria o carro conversível mais vendido do mundo. A década de 50 começou com o lançamento do VW Transporter (popularmente conhecido com Kombi), representando um novo segmento da indústria automotiva, tendo o projeto baseado nos carros de transportes internos da empresa. Outro lançamento importante ocorreu em com o Karmann Ghia Coupe, desenvolvido em conjunto com a Karmann Company. Durante esta década, a marca lançou bases de sua ampliação industrial. Neste período, eram instaladas as primeiras fábricas em caráter multinacional, em países como o Canadá (1952), Brasil (1953) e Austrália (1954). Muito à frente de seu tempo, a empresa abriu seu capital ao público já em 1960, mesmo ano em que o Beetle ganhava modelos com motor 1300cc e 1500cc.


A agressividade emergente da VOLKSWAGEN foi comprovada no ano seguinte (1961), quando o administrador Heinrich Nordhoff incorporou as concorrentes Audi, DKW e NSU. A década de 60 contou com lançamentos importantes como em 1966 com o modelo TL 1600 e o VW 147, uma pequena van utilitária desenvolvida para o correio alemão e apelidada de “Fridolin”. O monopólio no segmento de carros pequenos só foi ameaçado no início dos anos 70. Para remediar esta nova situação, o diretor Rufolf Leiding renovou sua frota tradicional e, de quebra, presenteou o mundo com o PASSAT e o PASSAT VARIANT, em 1973, e o GOLF um ano depois como sucessor do Beetle. O GOLF foi apresentado nos Estados Unidos com o apelido de “Rabbit”.


Em 1976, depois de 31 meses após seu lançamento, o modelo GOLF atinge a marca de 1 milhão de carros vendidos, provando o sucesso do veículo. No ano seguinte o Fusca atingia a histórica marca de 21 milhões de carros vendidos desde seu lançamento. Porém o sucesso não foi suficiente para impedir que a montadora encerrasse a produção do modelo na Europa. A partir da década de 80 a montadora começou um enorme processo de aquisições de outras marcas como a espanhola SEAT (1986), a Skoda (1990), a inglesa Bentley (1998), as italianas Bugatti (1998) e Lamborghini (1998). Como parte de uma grande reestrutura, em 1995, a montadora criou a Volkswagen Commercial Vehicles, divisão responsável por todos os veículos comerciais da VOLKSWAGEN. Em 3 de março de 2008, a VW comprou a montadora sueca de caminhões Scania. No mesmo dia, a Porsche tornou-se o principal acionista da VOLKSWAGEN com 51%, ultrapassando o até então maior acionista, o governo do estado alemão da Baixa Saxônia. Era como se um ratinho engolisse um mamute.


A linha do tempo
1975
● Apresentados no salão de Frankfurt os modelos GOLF GTIPOLO.
● A montadora passa a oferecer garantia de um ano sem limite de quilometragem.
1978
● Lançamento do modelo JETTA, um sedã médio com design avançado para época, e dos primeiros caminhões da montadora.
1981
● É apresentado no salão de Frankfurt o SANTANA.
1988
● Apresentação da terceira geração do PASSAT.
● Lançamento do CORRADO (significa correr em espanhol), modelo esportivo substituto do VW Scirocco. O modelo teve sua produção encerrada em 1995 com 97.521 unidades vendidas.
1995
● Lançamento da SHARAN, uma mini-van de médio porte com capacidade para 7 pessoas confortavelmente acomodadas. A maior virtude do novo modelo era a flexibilidade (removendo os bancos traseiros era criado um espaço de 2610 cm3). O nome é derivado de uma palavra em persa que significa “Carrier of Kings”.
1996
● Apresentação do novo PASSAT.
1998
● Lançamento nos Estados Unidos do NEW BEETLE, um modelo re-estilizado de um dos modelos de maior sucesso da indústria automobilística mundial: o Fusca. Foi também introduzida a sua versão conversível chamada de New Beetle Convertible.
2002
● Lançamento, no Salão do Automóvel de Paris, de uma das estrelas da montadora alemã, o VOLKSWAGEN TOUAREG. Com nome inspirado nas tribos nômades que vagam pelo deserto do Saara o utilitário esportivo foi desenvolvido em conjunto com a Porsche.
● Lançamento da PHAETON, um sedan extremamente luxuoso feito na mesma plataforma do Audi A8. O modelo possuiu 5,05m de comprimento, 1,90m de largura e 1,45m de altura, o que lhe permite abrigar confortavelmente cinco passageiros.
2003
● Lançamento da TOURAN, uma mini-van compacta com capacidade para sete passageiros.
2004
● Lançamento do FOX, desenvolvido totalmente pela filial brasileira da VOLKSWAGEN, sendo introduzido no mercado europeu no ano seguinte. O novo modelo oferecia conforto, estabilidade, modernidade e, principalmente, segurança.
2006
● Lançamento do VW EOS (nome da deusa do amanhecer da mitologia grega), primeiro cupê-cabriolet da montadora alemã. Apesar de ser vendido em todos os países em que a marca está presente, o conversível é destinado para o mercado americano, alemão e francês.
● Lançamento da CRAFTER, a maior van comercial produzida pela montadora alemã com capacidade para carregar entre 3 e 5 toneladas.
● Lançamento do CROSSFOX, veículo que unia a coragem do off-road com um novo visual esportivo além d o conforto e a dirigibilidade de um hatch compacto. Construído no conceito SUC (Sport Utility Compact), o modelo tinha sua identidade off-road reforçada por detalhes como a altura de 1.639mm (53mm mais alto que o Fox), estepe externo, quebra-mato, faróis de longo alcance e estribos.
2007
● Lançamento do TIGUAN, um SUV (Sport Utility Vehicle) urbano corpulento e robusto com o interior totalmente inspirado no Golf Plus. O modelo está disponível em três versões: Trend & Fun e Sport & Style com uma aparência mais civilizada e um ângulo de ataque de 18 graus, e o Track & Field, com uma vocação mais off-road, onde se destaca a frente alterada por um pára-choque diferente, que permite um ângulo de ataque de 28 graus. –


A sede
A sede mundial da VOLKSWAGEN está localizada em Wolfsburg, a meio caminho entre Berlim e Hannover, e foi instalada a primeira fábrica da montadora. É lá que está a Autostadta cidade do automóvel. As construções arquitetônicas se integram perfeitamente nesta ampla zona verde salpicada de zonas lacustres artificiais. No complexo pode-se aprender tudo sobre a história do automóvel e seu processo de produção. Na sede estão também expostos os protótipos desenvolvidos pela Volkswagen Corporation. Eles representam o futuro e, por isso mesmo, são fascinantes. “Homens, carros e tudo o que os move” (slogan da Autostadt). Tudo ali realmente tem o objetivo de atiçar sentidos e emoções do visitante, ao mesmo tempo em que informa — e vende, claro.


Projetada para produzir o Fusca, criado por Ferdinand Porsche, foi usada para a fabricação de armamentos durante a Segunda Guerra Mundial. A Autostadt se divide entre o centro de entrega de automóveis aos clientes, o que inclui as duas quase inacreditáveis torres do estoque, um pavilhão para cada marca do Grupo Volkswagen — a própria Volkswagen, Audi, Bentley, Lamborghini, Skoda e Seat —, o museu chamado ZeitHaus (Casa do Tempo), que conta a história do carro, e o KonzernForum (Fórum do Grupo), onde fica a recepção, o parque infantil, lojas e restaurantes. É possível uma visita à imensa fábrica da VOLKSWAGEN, feita em uma espécie de trenzinho, que leva ao menos duas horas; ou fazer um test-drive numa pista de treino que imita todo tipo de terreno, onde os mais aventureiros podem testar suas habilidades com a orientação de um instrutor. Além disso, há sempre instalações de arte moderna e diversos festivais sendo realizados ao longo do ano.


A fábrica de vidro
A moderna fábrica foi inaugurada em março de 2002, em Dresden na Alemanha, com um investimento estimado de €186 milhões. Ocupa 49.000 m2 e seu complexo de edifícios possui duas alas transparentes. Isso faz com que o processo de produção do automóvel seja visível para quem está do lado de fora. E marca uma forma inédita de integrar o ser humano, a técnica de produção e o meio ambiente.


O logotipo
O logotipo da VOLKSWAGWEN é um dos mais famosos do mundo. Como muitos outros elementos de design corporativo, ele representa os valores da marca. É uma demonstração da alta qualidade, solidez e expertise da marca, entre outras coisas. Desde os primeiros tempos da empresa, o logotipo com a letras V e W juntas dentro de uma “bolacha”, foi o símbolo da DAF (Deutsche Arbeitsfront), um tipo de sindicato da antiga fábrica Volkswagen GmbH. Este logotipo foi registrado em 1938. Após a Segunda Guerra Mundial a empresa foi tomada pelos ingleses. O Major britânico Ivan Hirst decidiu que a partir de 1945 a “bolacha” com as letras V e W deveria ser o logo oficial da VOLKSWAGEN. Até hoje o criador deste logtipoo é desconhecido. Supostamente foi concebido por Franz Xavier Reimspiess, um empregado da Porsche, durante uma competição oficial de logotipos. Foi pago pelo logotipo cerca de 100 Reichsmarks (aproximadamente US$ 400). O logotipo “cruzado” da VOLKSWAGEN foi registrado como marca em outubro de 1948 no Departamento Alemão de Patentes em Munique e, desde então, tem sido usado em diferentes variantes. Já foi levemente modificado, preto no branco, mais tarde azul no branco ou branco no preto ou azul. No ano de 2000 foi feita uma adaptação tridimensional, estando alinhado com os mais altos padrões da marca, sem perder sua familiaridade.


O gênio por trás da marca

Dono de 13.1% das ações da montadora alemã Porsche e um patrimônio estimado em US$ 400 milhões, o austríaco Ferdinand Karl Piëch poderia, aos 70 anos, contentar-se em ser um daqueles executivos veteranos a caminho de uma merecida e tranqüila aposentadoria. Com dinheiro e tempo de sobra, curtiria à vontade três de suas paixões: velejar pelas Ilhas Canárias, onde possui uma mansão, esquiar pelos Alpes ou cultivar vinhedos, como faz Ernest, seu irmão mais velho, na Inglaterra. Neto do lendário Ferdinand Porsche (entre outras façanhas, o inventor do Fusca), Piëch já nasceu em berço de ouro. Sua família acumula royalties pela mais popular das criações do avô e, desde os anos 40, é dona do monopólio da distribuição dos veículos da VOLKSWAGEN na Áustria e Europa do Leste. Ele seguiu os passos do patriarca do clã e também do pai, Anton, e presidiu a maior montadora da Europa. Entre os anos de 1993 à 2002, sua gestão foi marcada por anos agitados e por um festival de demissões. Defenestrou, um a um, 34 altos executivos que se colocaram em seu caminho e chacoalhou as estruturas da empresa. Quando chegou ao topo da VOLKSWAGEN, ela estava atolada em prejuízos, tinha poucos modelos para oferecer aos consumidores e gastava demais para fabricar seus carros. Sob seu comando, cortou por quatro o número de plataformas (eram 16 antes de seu comando), mais do que dobrou a oferta de modelos (de 28 antes de sua posse, passaram a 65) e tirou a empresa do buraco para um lucro de 5 bilhões de euros, obtidos no último ano de sua gestão. Ele acompanhou de perto o lançamento de cada um dos novos carros, entre os quais criações revolucionárias, como o Lupo com motor 1.2 (percorria 33 quilômetros com 1 litro de diesel) ou carismáticas, como o New Beetle (uma recriação pós-moderna do Fusca que recuperou o prestígio da marca nos Estados Unidos).


Levantou polêmica no final dos anos 90 ao incorporar a um grupo, que já foi conhecido por fazer produtos populares, marcas de prestígio como Bentley, Lamborghini e Bugatti. Antes, fez história como diretor de Desenvolvimento Técnico da Audi, ajudando a criar carros tão bons, como o Audi A8 Quattro; o protótipo 917, que levou a Porsche a brilhar no automobilismo a partir do final dos anos 60; e polêmicos, como o A2, uma mini-van compacta feita de alumínio. Por todas essas façanhas em 44 anos de carreira, Piëch consagrou-se como um gênio no mundo do automóvel. Só que ele, teimoso, recusa-se a sair de cena antes de consumar um último lance: juntar novamente VOLKSWAGEN e Porsche e se dar bem com sua estratégia. Acantoado no Conselho de Supervisão da VOLKSWAGEN, o órgão que fiscaliza os passos tomados pela sua direção desde que deixou a presidência da montadora, essa veterana e silenciosa raposa de olhos azuis (características que lhe valeram o apelido deHomem de Gelo) é um dos protagonistas do mais espetacular movimento acionário dos últimos tempos no mundo dos negócios: o avanço da pequena – mas muito bem-sucedida – empresa criada por Ferdinand Porsche (e da qual Piëch é também membro atuante do Conselho de Supervisão) rumo ao controle da gigante alemã dos automóveis.

Ferdinand Karl Piëch: o Homem de Gelo
Com base em uma bilionária estratégia de compra de papéis iniciada em setembro de 2005, a PAH – Porsche Automobil Holding (a controladora criada com dinheiro injetado pela montadora homônima) – havia abocanhado 31% das ações da maior montadora da Alemanha, o que lhe garantia dois lugares no Conselho de Supervisão da VOLKSWAGEN e um bocado de influência em seus destinos. E isso era apenas o começo, já que os controladores da Porsche iriam aumentar ainda mais essa participação depois que, no final de outubro de 2007, a Corte Européia de Justiça sentenciou como ilegal um privilégio dado ao Estado alemão em forma de lei: implantada em 1960, a regra dispunha que nenhum acionista poderia ter um poder de voto maior do que o governo da Baixa Saxônia, dono de 20,6% do capital da VOLKSWAGEN. E isto aconteceu em 3 de março de 2008 quando a pequena Porsche adquiriu 51% do Grupo VOLKSWAGEN. Mas essa jogada só foi possível com as manobras nos bastidores da VOLKSWAGEN feita por ele. É claro que, nessa equação, dinheiro é importante para Piëch, mas sua vaidade conta muito, também. Uma das artes de Ferdinand Piëch é a de superar situações complicadas. Sua biografia conta que em seus tempos de escola tinha muita dificuldade em aprender línguas estrangeiras. Hoje, ele fala três idiomas, além do alemão. É verdade que se exprime usando uma estranha técnica: depois de uma pergunta, demora algum tempo para se pronunciar, com um olhar distante, como se estivesse ausente. Muitas vezes, só começa a responder quando o interlocutor já imagina que desistiu. Mas, se está longe de ser bem-dotado com as palavras, é genial quando o assunto é técnica. Obcecado pela técnica, é capaz de rascunhar o desenho de um novo motor diante de engenheiros. Outra de suas características é descobrir uma solução criativa para resolver um problema. Conta-se que, para verificar a vibração macia de um motor 8 cilindros, ele tinha o costume de colocar uma moeda no capô: se ela não caísse no chão, estava tudo sob controle. Assim é Ferdinand Karl Piëch.
Campanhas que fizeram história
A campanha mais brilhante da marca, e talvez da publicidade mundial, foi introduzida na década de 60. Tudo começou quando o publicitário Bill Bernbach tinha pela frente um problema e tanto no ano de 1959. Sua agência, a Doyle Dane Bernabach, conhecida hoje como DDB, acabara de ser contratada para fazer a propaganda do Fusca nos Estados Unidos. Os americanos não gostavam do carro. Insensíveis ao seu arrojado design, inspirado numa gota d’água, o achavam feio e pouco prático. Deram a ele o apelido pejorativo de beetle, besouro em inglês. Além disso, carregava a pecha de ser “o carro de Hitler”, o veículo que o ditador nazista sonhara para o povo alemão. Lançado nos Estados Unidos em 1949, o carro foi um fracasso. Em 1950, dos 6.6 milhões de veículos novos do país, apenas 330 eram da marca VOLKSWAGEN. Bill Bernbach resolveu mudar esse cenário e engatou uma nova marcha na história dos negócios do século 20. O anúncio que criou para o pequeno besouro mudou o jeito de se fazer propaganda no mundo, tornando-se o grande divisor de águas entre o antes e o depois da “Era Criativa”. O layout não tinha nada demais, era extremamente básico. O que o torna genial é o seu título, “Think Small”(pense pequeno). Seu humor provocativo ia contra o pensamento corrente nos Estados Unidos do “pense grande”. Um fenômeno curioso se registrou: os consumidores chegavam às lojas de automóveis repetindo aos vendedores quase literalmente os textos da campanha publicitária que tinham ouvido. Os anúncios de Bill Bernbach tinham humor e falavam com o consumidor como se fosse um amigo próximo.

Acreditando no bom senso dos consumidores, a VOLKSWAGEN seguiu investindo em anúncios que posicionavam corretamente o Fusca como segundo carro da família ou destacavam diferenciais como facilidade de estacionar e a refrigeração a ar (no inverno americano a água dos radiadores congela) sempre de forma criativa. Outros anúncios causaram grande impacto, como por exemplo, o que tinha a frase “It’s Ugly, But it gets you there” (É feio, mas leva-o lá), ou outro em que apenas aparecia a foto do automóvel e a palavra“Lemon” (Limão), expressão coloquial que tanto pode significar feio como defeituoso, ou ainda o que mostrava um Volkswagen quebrado seguido da palavra “Impossible” (Impossível). Os resultados da campanha foram extraordinários.

Os slogans
Think Small. (1962 – VW Beetle)
Volkswagen is a Volkswagen – as it looks completely alike. (1963)
Drivers wanted. (1995)
Volkswagen there one knows, what one has. (1988) 
One of the greatest pleasures you can have.
(2000 – VW Golf)
For boys who were always men. (2000 – VW Golf GTI)
Volkswagen Polo. Built to protect. (VW Polo)
Serious Fun.
Volkswagen – The Car.
For the love of the car.
(2006)
Das Auto. (2007)
Driving Ideas. (2007)


Dados corporativos
● Origem: Alemanha
● Fundação: 1937
● Fundador: Governo alemão de Adolf Hitler
● Sede mundial: Wolfsburg, Alemanha
● Proprietário da marca: Porsche AG
● Capital aberto: Sim (1960)
● Chairman: Ferdinand K. Piëch
● CEO: Martin Winterkorn
● Faturamento: €113.8 bilhões (2008)
● Lucro: €4.68 bilhões (2008)
● Valor da mercado: €33.4 bilhões (setembro/2009)
● Valor da marca: US$ 6.484 bilhões (2009)
● Vendas anuais: 6.300.000 unidades (2008)
● Fábricas: 61
● Presença global: + 150 países
● Presença no Brasil: Sim (5 fábricas)
● Maiores mercados: China, Alemanha e Brasil
● Funcionários: 370.000
● Segmento: Automotivo
● Principais produtos: Automóveis, caminhões e ônibus
● Outros negócios: Audi, Lamborghini, Bentley, Bugatti, Seat, Skoda
● Ícones: O Fusca e seu logotipo
● Slogan: Driving Ideas.
● Website: www.volkswagen.com

O valor
Segundo a consultoria britânica Interbrand, somente a marca VOLKSWAGEN está avaliada em US$ 6.484 bilhões, ocupando a posição de número 55 no ranking das marcas mais valiosas do mundo. Além disso, a VOLKSWAGEN é a 18ª maior empresa do mundo de acordo com a Fortune 500 de 2008.

A marca no Brasil
A história começou em 1949, quando pesquisas feitas no mercado latino-americano indicaram o Brasil como o melhor lugar para receber a primeira fábrica da marca fora da Alemanha. Em 23 de março de 1953, em um pequeno armazém alugado no bairro do Ipiranga, em São Paulo, nascia a VOLKSWAGEN do Brasil. De lá saíram os primeiros Fuscas, com peças importadas da Alemanha e montados por apenas 12 empregados. Entre 1953 e 1957, foram montados 2.820 veículos (2.268 Fuscas Sedan e 552 Kombis). Os planos da empresa ganharam novo impulso quando, em junho de 1956, o governo brasileiro criou condições para instalar no Brasil a indústria automobilística, fixando as bases para o rápido desenvolvimento do setor. No mesmo ano, a VOLKSWAGEN decidiu construir sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP). Já em 2 de setembro de 1957, produzia a Kombi, o primeiro carro da marca fabricado no Brasil, com 50% de suas peças e componentes produzidos no País. Lançado em 3 de janeiro de 1959, o Fusca rapidamente tornou-se sucesso de mercado (o Brasil produziu e vendeu 3.3 milhões de unidades), numa época dominada pelos grandes automóveis importados. 18 de novembro de 1959. Esta é uma data histórica para a VOLKSWAGEN. Nesse dia foi inaugurada oficialmente a fábrica de São Bernardo do Campo, com a presença do então presidente da República do Brasil, Juscelino Kubistscheck, responsável pela instalação da indústria automobilística no país. Em julho de 1970, com os primeiros recordes de produção e vendas, a marca chegava ao primeiro milhão de veículos. Em março de 1972, o Fusca registrava o marco histórico de um milhão de unidades vendidas. O aprimoramento na produção de veículos adequados às condições e exigências brasileiras levou, em junho de 1974, ao lançamento do Passat, carro de tamanho médio, com motor de quatro cilindros, refrigerado a água, e com tração dianteira, completamente diferente dos modelos anteriores. O carro foi sucesso no Brasil e no exterior, principalmente no Iraque, para onde foram exportadas 200 mil unidades.


Em 1975, a filial brasileira já era a maior fora da Alemanha, e responsabilizava-se por 62% da produção nacional. Em 1980, com o parque automobilístico brasileiro consolidado, a VOLKSWAGEN decidiu entrar no mercado de caminhões. Atualmente líder nesse mercado, produziu e vendeu 240.044 caminhões e ônibus nestes 23 anos e construiu uma nova linha de montagem em Resende, inaugurada em 1996. No início dos anos 80, depois de construir uma nova fábrica de automóveis em Taubaté, no interior de São Paulo, iniciou a produção da chamada Família BX, composta pelos automóveis Gol, Voyage e Fox (este exclusivo para exportação para os Estados Unidos), a station-wagon Parati e a picape Saveiro. O Gol é o modelo mais exportado do País e totalizou 500 mil unidades exportadas para 50 mercados desde seu lançamento em 1980. Em 1984, entrou no segmento C, de carros de luxo com o Santana e, em 1985 com a Quantum (a primeira station-wagon com quatro portas). Em 1987, em um momento de queda do mercado, para reduzir os custos e ter melhor aproveitamento dos recursos disponíveis, a VOLKSWAGEN e a Ford juntaram-se e criaram a Autolatina Brasil. Em sete anos, a Autolatina colocou no mercado vários carros híbridos, como o Apolo, Logus e Pointer, da Volkswagen, e o Verona, Royale e Versailles, da Ford. Em 1988, foi lançado o Gol GTI, primeiro carro nacional com injeção eletrônica de combustível e ignição digital. Em 1993, a VOLKSWAGEN comemorava 10 milhões de veículos fabricados no país e relançava o Fusca, aproveitando vantagens fiscais oferecidas pelo governo federal para quem produzisse um carro popular. O fim da Autolatina coincidiu com a abertura da economia, em 1994.

Em 2002, a VOLKSWAGEN entra numa nova fase de sua produção, com a inauguração da Fábrica Nova Anchieta, uma das mais modernas do mundo. Localizada na cidade de São Bernardo do Campo, a fábrica passou por uma reformulação completa para dar início à produção do Novo Polo. A linha de produção foi equipada com 400 novos robôs e é totalmente informatizada. Em março de 2003, comemora 50 anos de Brasil, com o lançamento do Gol Total Flex, o primeiro automóvel bicombustível do país. Em 2004, foi a vez do lançamento do Fox, uma das maiores revoluções do mercado automotivo de todos os tempos. No ano seguinte foi a vez do modelo CrossFox, a versão esportiva do Fox, ser lançada no mercado. Neste ano também foi lançada a quarta geração do Gol, o Gol G4, com novo face-lift e ainda mais potente. Em 2008 ocorreu o lançamento do sedan compacto VOYAGE. O último sedan pequeno da empresa foi justamente o Voyage, produzido entre 1981 e 1996, e que também era uma variação do Gol. sendo o primeiro veículo da montadora concebido sob o conceito de família, ou seja, mais de dois veículos derivados do mesmo carro. O modelo também foi responsável pela entrada inédita de um veículo brasileiro no mercado norte-americano, onde, na época, recebeu o nome de Fox. Durante este período, a empresa atingiu 662.367 unidades. Ao longo de mais de 50 anos no Brasil, a VOLKSWAGEN sempre procurou a evolução tecnológica e o aprimoramento de seus produtos. Seu Departamento de Engenharia e Desenvolvimento do Produto reúne aproximadamente 1.500 engenheiros, designers e especialistas capazes de projetar e produzir automóveis de aceitação mundial. Na Engenharia, fica instalada o Centro de Impactos Veiculares, onde foram submetidos a crash-test todos os veículos da marca fabricados no Brasil. A marca tem no Brasil um dos principais mercados do Grupo Volkswagen (o primeiro é a China e o segundo é a Alemanha) e suas vendas representam 9,5% do total do grupo em todo o mundo. A unidade brasileira apresenta números consideráveis: faturamento de R$ 25 bilhões; 22 mil funcionários; 5 fábricas; 736 concessionárias; 826 mil carros produzidos por ano (2008); 22% de participação de mercado; e 18 modelos diferentes disponíveis no mercado.


A marca no mundo
A VOLKSWAGEN, segunda maior montadora da Europa e quarta maior do mundo, produz anualmente 6 milhões de veículos (3.667.600 somente da marca VOLKSWAGEN) vendidos em mais de 150 países, sendo ainda proprietária das marcas Audi, Lamborghini, Bentley, Bugatti, Seat e Skoda, além da locadora de automóveis Europcar International e a montadora de caminhões sueca Scania. A empresa além da produção de automóveis é uma das principais montadoras de ônibus e vans do mundo. A montadora alemã possui 61 fábricas espalhadas por 19 países. Atualmente a VOLKSWAGEN possui mais de 30 modelos diferentes de automóveis no mercado com participação global de 10.3% no segmento de automóveis de passeio. Somente os automóveis com a marca VW faturam €72.9 bilhões (2008).


Você sabia?
● O modelo mais popular da VOLKSWAGEN é conhecido no Brasil como Fusca, em Portugal como Carocha, na Alemanha como Käfer e nos Estados Unidos e Reino Unido da Grã-Bretanha, como Beetle.

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