Lamborghini

 

Touros quase indomáveis estão soltos por aí. Atendem pelos nomes de Diablo, Gallardo, Murciélago ou Reventón. São capazes de acelerar a mais de 300km/h. Esses “touros” são as preciosidades fabricadas pela montadora italiana LAMBORGHINI, sinônimo de superesportivos exclusivos e nervosos.
A história
Tudo começou por causa de uma resposta grosseira e malcriada. O fabricante de tratores agrícolas, ar condicionado e calefação, Ferrurucio Lamborghini tinha uma Ferrari 250 GT que sofria de problemas crônicos de embreagem. Um dia, reclamou do defeito como o comendador Enzo Ferrari e foi destratado. “Você não entende nada de carros. Vá dirigir trataores!” teria respondido grosseiramente o comendador. Sentindo-se ofendido respondeu: “Eu criarei uma marca melhor que a sua!”. Ferrucio não se deu por vencido. Diz a história que ele consertou a Ferrari de uma vez por todas, usando uma embreagem de trator. Mais do qie isso: resolveu fabricar automóveis superesportivos que não descem dores de cabeça e fossem mais dóceis com seus proprietários. Foi então que fundou, em 1963, a Ferruccio Lamborghini Automobili. Para uma vingança completa, montou sua nova empresa na cidade de Sant’Agata Bolognese, localizada a apenas 17 quilômetros de Modena, sede da montadora Ferrari, e próximo a Bolonha (sede da Maserati).
O primeiro protótipo foi o 350 GTV (Gran Turismo Veloce), que tinha um motor V12 de 3,5 litros e 360 cv, alcançando 280 km/h, acelerando de 0 a 100 km/h em apenas 6.7 segundos, fazendo sua estréia no Salão de Turim. No ano seguinte, o modelo de produção, chamado 350GT, foi revelado no Salão de Genebra. O carro vinha equipado com um motor V12 de 280 cv de potência, com suspensão independente, câmbio de 5 marchas e freios a disco. Em 1965 a fábrica construía um interessante chassi, chamado de P400 que fez muito sucesso no Salão de Turim do mesmo ano. No inverno, Ferruccio encomendou a Bertone uma carroceria para o modelo. Nascia um dos mais belos carros esporte feitos por este estúdio em todos os tempos: o Miura P400, desenhado por Marcello Gandini. Miura era uma raça de touro, uma das grandes paixões do fundador da empresa, que lançou muitos automóveis com nomes de raças. A fama da LAMBORGHINI como fabricante de carros espetaculares começava a crescer.


Em 1968, o modelo Islero 400GT, foi apresentado no Salão de Genebra, com chassi de alumínio, um motor V12 de 320 cv, suspensão independente e freios a disco. O visual surpreendente do modelo Espada (primeiro carro da montadora com capacidade para quatro pessoas) foi outra novidade do mercado apresentada pela montadora. Era baseado no protótipo Marzal do estúdio Bertone e combinava a aparência, performance e dirigibilidade de um esportivo com o conforto e luxo de uma perua. O Espada foi um dos carros mais bem sucedidos da LAMBORGHINI. Nos anos 70, o futuro era incerto para a LAMBORGHINI. Sua divisão de tratores fora vendida a Fiat, e ao mesmo tempo, o mercado de automóveis superesportivos andava em baixa por causa das crises do petróleo. Falida a empresa foi entregue a um grupo de investidores suíços, e Ferrucio viveu o resto de seus dias longe de problemas, em uma bela propriedade rural. Ele morreu ao 76 anos de idade em 1993.


O modelo Countach, de 1974, foi a última criação da marca sob o domínio de Ferrucio. No ano de 1977, a montadora desbravava novos caminhos com o lançamento do Cheetah, modelo off-road (fora de estrada) que entrou no mercado dos veículos militares. Quatro anos depois, o LM001, sucessor do Cheetah, começa a ser produzido. Os suíços que passaram a administrar a montadora italiana não demoraram a revender a empresa para o grupo americano Chrysler. A montadora começou então a preparar um motor para equipar carros de Fórmula 1. A estréia nesta competição automobilística ocorreu em 1989, mas nunca teve sucesso.


E foi neste tempo que nasceu o superesportivo Diablo, no ano de 1990. Com um design surpreendente, o carro, mais uma vez, vinha com o motor 4.0 litros V12, chassi tubular, portas que abriam para cima (conhecidas como portas gaivota) e 375 cv de potência. Apesar do sucesso do novo modelo, a Chrysler também começou a viver dificuldades financeiras e, mais uma vez, a LAMBORGHINI teve que ser passada adiante, agora para um grupo da Indonésia, que no fim dos anos 90, se viu em meio a uma grave crise. Novamente parecia que o fim seria inevitável. Aí, aconteceu uma surpresa: a Audi (que atualmente pertence a Volkswagen) comprou a LAMBORGHINI em 1998 e salvou a montadora italiana da falência.

Inicialmente a montadora alemã seguiu produzindo e vendendo o Diablo, mas fazia tempo que a marca não lançava um novo automóvel. No salão de Frankfurt de 2001, exatos 11 anos após a apresentação, o inesquecível modelo Diablo, enfim, ganhou um sucessor: o superesportivo Murciélago. A palavra significa “morcego” em espanhol, mas não tem nada a ver com mamíferos voadores. Murciélago era o nome de um touro tão nobre que, em 1879, foi poupado numa tourada e transformado em reprodutor. Nos anos seguintes a montadora italiana lançou modelos exclusivos como o Gallardo e mais recentemente o Reventón, e continua criando superesportivos cobiçados por muitos, mas produzidos para poucos.
A linha do tempo
1966

● Lançamento do MIURA, um superesportivo que tinha motor central, localizado atrás do motorista. A nova posição do motor permitia uma melhor distribuição de peso, algo essencial em um automóvel esportivo. O modelo possuía ainda um motor V12 de 350cv e alcançava 290km/h.
1972
● Lançamento do URRACO, que permitiu à marca italiana ingressar no segmento dos pequenos super-carros.
1974
● Lançamento do COUNTACH, um automóvel marcado pela irreverência das suas linhas (design extremamente angular e aerodinâmico), sendo o primeiro modelo da montadora italiana a incorporar o conhecido sistema de abertura das portas em tesoura (conhecidas popularmente como portas gaivotas). O modelo era dotado de um potente motor traseiro de 4000cc e 12 cilindros em V. O carro foi produzido com estas características até 1988, ano em que o motor passou a ter uma cilindrada de 5000cc.
1986
● Lançamento do LM002, um super-jipe equipado com motor V12 e velocidade máxima de 220km/h. O modelo foi produzido até 1992.
1990
● Lançamento do DIABLO, veículo (na época) mais rápido do mundo, capaz de chegar a uma velocidade final superior aos 321 km/h. Foi um sucesso de vendas com mais de 2.900 unidades produzidas.
1996
● Lançamento do DIABLO SV, uma versão mais esportiva do Diablo inspirada no lendário Miura SV. Os 525 cv de potência de seu motor levavam o carro de 0 a 100 km/h em apenas 4s.
2001
● Lançamento oficial do MURCIÉLAGO, com seu motor de 6.2 litros V12 de 571 cv de potência e tração integral.
2003
● Lançamento do GALLARDO, equipado com motor V10 de 500 cv de potência. O automóvel é uma versão menor e mais barata do modelo Murciélago. O modelo foi o LAMBORGHINI mais vendido da história: em apenas dois anos, mais de três mil unidades foram comercializadas.
2006
● Lançamento do MIURA CONCEPT, uma interpretação moderna para um clássico da marca da década de 60.
● Lançamento do GALLARDO SPYDER, um conversível baseado na versão cupê. Uma das novidades fica por conta do teto, concebido em fibra de carbono, o que contribui para sua leveza e permite abertura e fechamento em 20 segundos. A operação é feita de maneira eletrônica, acessada por meio de um botão no console central
2007
● Lançamento do REVENTÓN, o automóvel mais veloz e potente já produzido pela LMABORGHINI. Custando um milhão de euros, serão construídas apenas 100 unidades equipadas com motor 6.5 litros V12 Central (650 cv). REVENTÓN é o nome do famoso touro que matou o toureiro Félix Guzmán, em 1943.
O museu
Inaugurado em 2001, o MUSEU LAMBORGHINI é um espaço que se destina a preservar as preciosidades da marca italiana que nasceu para desafiar a Ferrari. Construído depois que a marca de superesportivos foi adquirida pela Audi, o museu fica ao lado da fábrica, localizada na cidadezinha italiana, ou comune, como eles as chamam, de Sant’Agata Bolognese, na província de Bolonha, perto da mítica cidade de Modena, onde fica outra fabricante das mais famosas, a Ferrari.
No primeiro piso do museu pode-se encontrar exatamente o primeiro modelo que a empresa criou, o 350 GT. Fabricado de 1964 a 1966, esta berlinetta para duas pessoas (2+1, na verdade, mas o espaço para o terceiro passageiro era praticamente inexistente) teve apenas 135 unidades fabricadas. Outra jóia da coleção é o 400 GT 2+2, produzido de 1966 a 1968. Com um total de 250 unidades a deixar a fábrica, esse belo automóvel, também equipado por um motor V12, mas com 316 cv, conseguia chegar à velocidade máxima de 250 km/h. No mesmo piso também se encontram outros automóveis que marcaram história, esses instaurando a tradição de usar os nomes de touros valorosos, conhecidos nas arenas de tourada por sua valentia.

Na parte superior do Museo Lamborghini é ocupada pelos carros mais recentes da marca, como o GT2 e oDiablo (um dos quais está até pendurado na parede), com seus protótipos, mockups e desenhos. Nessa parte pode-se ver as versões GT, GTR e 6.0 SE, todas já com o dedo da Audi, que resolveu de uma vez por todas os tais problemas de qualidade e confiabilidade que a marca enfrentava. Decorrência dos conhecidos perfeccionismo e disciplina germânica. Ali também estão guardados os veículos de Fórmula 1 que tiveram motores produzidos pela Casa do Touro, como o Lola Larousse de 1989, o Lotus de 1990 e a Minardi de 1993. Outras curiosidades são os motores náuticos da empresa, que, nas palavras dela própria, servem para mostrar que a LAMBORGHINI consegue ser rápida também na água. A entrada para o museu custa cerca de €10.
A origem do nome
Ferrucio Lamborghini nasceu no dia 28 de abril de 1916. Era do signo de touro, daí usar o animal como símbolo de sua marca de carros. O animal está presente, não somente, no logotipo da marca LAMBORGHINI, assim como batiza os modelos produzidos pela montadora desde a década de 60, com o lançamento do MIURA. Depois vieram o DIABLO, MURCIÉLAGO, GALLARDO, todos com o temperamento do animal bravio.
Dados corporativos
● Origem: Itália
● Fundação: 1963
● Fundador: Ferrucio Lamborghini
● Sede mundial: Sant’Agata Bolognese, Itália
● Proprietário da marca: Volkswagen AG
● Capital aberto: Não (subsidiária)
● Chairman: Werner Mischke
● CEO & Presidente: Stephan Winkelmann
● Faturamento: €500 milhões (estimado)
● Lucro: €50 milhões (estimado)
● Produção anual: 2.430 unidades (2008)
● Presença global: 80 países
● Presença no Brasil: Sim
● Funcionários: 850
● Segmento: Automotivo
● Principais produtos: Automóveis esportivos
● Ícones: A porta de abertura gaivota de seus veículos
● Website: www.lamborghini.com
A marca no mundo
A LAMBORGHINI comercializa sua limitada produção anual em mais de 80 países ao redor do mundo através de mais de 110 concessionárias. Anualmente a marca comercializa cerca de 2.430 unidades.

Você sabia?
● Em dezembro de 2004 alguns automóveis GALLARDO foram doados pela LAMBORGHINI para a polícia italiana como presente por seu 152º aniversário. Com o seu motor V10 de 520cv de potência a 7800rpm, vai de 0-100 km/h em 3,9 segundos, tendo uma velocidade máxima de 333km/h. Este, com certeza é o carro de polícia mais rápido do mundo, e é usado pela polícia Rodoviária Italiana.

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